Os deuses do futebol deram a sua contribuição para que o Campeonato Carioca siga sendo o mais charmoso do Brasil. Vejam como eles tramaram a situação. Para São Paulo deixaram o Corinthians tomar considerável vantagem sobre o Santos. Para Minas Gerais decidiram em favor do Cruzeiro antes mesmo do último jogo. No Rio Grande do Sul fizera campeão o Internacional de uma forma sem graça, impondo um placar de 8x0. Aqui não: tramaram para que Botafogo e Flamengo chegassem à última partida em absoluta igualdade de condições. Interferiram desavergonhadamente na primeira batalha, não permitindo que um tomasse qualquer vantagem sobre o outro.
Quando o Flamengo fez um a zero, poderia ter feito o segundo gol, mas Leo Moura chutou em cima do goleiro Renan. Depois, já com dois a um em favor do Botafogo, se meteram na tarefa do árbitro, impondo-lhe uma reação maricas, deixando de expulsar o jogador Juan, num ato repulsivo desse jogador, cavador de pênaltis e com reações de garoto mimado, fazendo beicinho por ter levado um drible comum do futebol e por isso agredindo Maicosuel. Não satisfeitos, os tais deuses ainda providenciaram para que o juizinho do clássico conduzisse a partida para levar o Flamengo ao empate e,por garantia, ainda tiraram no mesmo instante (19 minutos do segundo tempo), os dois melhores jogadores do Botafogo.
Claro – o empate veio e com isso ficou garantido o charme da nossa decisão. É evidente que não tivemos no Maracanã aquela pintura de gol marcado pelo “fenômeno” Ronaldo no jogo de Vila Belmiro, nem a facilidade simples dos atacantes do Cruzeiro para meter cinco a zero no Atlético, muito menos a força ofensiva do colorado gaúcho na semana passada, mas contamos com a garantia de uma decisão pau a pau, elas por elas, na base da velha frase “quem puder mais chora menos”. Não sei as preferências dos deuses, mas seria muito bom, volto a dizer, que a nossa Federação fizesse o mesmo que os cearenses fizeram e os mineiros também – chamar um árbitro de outro estado para evitar tanta pusilanimidade na condução da nossa decisão.
Um árbitro que não seja influenciado pelo meio ambiente, para o qual não importe o chamado peso das camisas e que não tema também a força das arquibancadas, seria uma garantia de que correria tudo bem, sem queixas de qualquer das partes. Que os deuses do futebol pelo menos nisso iluminem a consciência dos nossos árbitros.