Meu único preconceito é contra a burrice. Não entro nessa, não discuto gosto, credo, raça, opção sexual, prefiro ficar na minha. Mas a coisa toma certos rumos que beiram o insuportável. Esse episódio do Mineirão, mostra, mais uma vez, que o futebol brasileiro é uma bagunça sem fim, oba-oba, gente querendo aparecer. Coincidentemente (?), os dois últimos casos envolveram jogadores estrangeiros, acusados de chamar brasileiros de macaquitos. Não deu em nada, o primeiro, em São Paulo, não vai dar esse, envolvendo o Maxi Lopes, nem outros que virão. A bomba, de efeito retardado, vai estourar no jogo de volta, em Porto Alegre. Aí, alguém precisa ser responsabilizado pelo que andou dizendo após a partida do Mineirão, criando um clima hostil para a segunda partida. Por tudo que foi dito e não provado, como sempre, em Belo Horizonte. Essa redoma que envolve jogador de futebol precisa ser destruída. Eles precisam ser tratados como qualquer profissional ou cidadão. Com direitos e deveres e acima de tudo com responsabilidade. Existe uma lei para punir o preconceito racial. Que seja provada a ofensa e o argentino punido. Se nada ficar comprovado, punam quem caluniou, no caso o jogador do Cruzeiro. Os xingamentos, mesmo que preconceituosos existem há muitos anos e não vão terminar nunca. Faz parte do jogo. Há coisas mais graves acontecendo em campo e ninguém toma providencias. Fora das quatro linhas nem se fala. E não há ninguém punido está todo mundo solto. Basta com essa hipocrisia.
Recebi e-mail do amigo Carlos Alberto Pintinho, jogador maravilhoso revelado pelo Fluminense na década de 1970. Futebol refinado, craque completo. Saudade de seus dribles, passes, lançamentos, gols. Morando em Sevilha, há 29 anos, dois filhos, Pablo e Carlinhos, técnico formado e reconhecido pela FIFA, dividia seu tempo dirigindo os juvenis do Sevilha e comentando a Liga da Espanha para o canal La Sexta TV. Pintinho destacou a decepção da torcida espanhola com a eliminação para os EUA, o desfalque de Iniesta, que desmontou a dupla com Xavi e a demasiada confiança da seleção, achando que poderia ganhar o jogo quando quisesse. Falou da euforia dos merengues com a contratação de Kaká e Cristiano Ronaldo pelo Real Madrid, a “segunda máquina” da Espanha. Pintinho sonha em voltar ao Brasil para deixar as marcas dos pés na calçada da fama do Maracanã, um velho sonho. Merecido, por sinal.